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Os principais desafios na gestão do modal rodoviário

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Pelas estradas nacionais passam cerca de 70% da distribuição de insumos e produtos industrializados e circulam cerca de 90% dos passageiros todos os dias. Sem dúvidas, o modal rodoviário segue sendo o maior responsável pela circulação de cargas e pessoas e pode ser visto como uma área prioritária para o desenvolvimento do país.

Mas as grandes e médias cidades têm enfrentado a ‘imobilidade’ urbana, com longos congestionamentos prejudicando os serviços e a qualidade de vida da população. Já as empresas têm o custo operacional aumentado – cargas atrasadas, mais combustível utilizado e caminhões danificados – pelo mau estado do pavimento das estradas. Somente em razão da má qualidade do pavimento, em 2016, o setor de cargas registrou um aumento de custos da ordem de R$ 2,34 bilhões.

Por isso, melhorar as condições gerais do modal rodoviário é fundamental para uma gestão pública mais eficiente. No entanto, há uma série de desafios a serem enfrentados para melhor administrar as demandas das rodovias (federais, estaduais ou cedidas à iniciativa privada).

Apenas para exemplificar a dimensão do trabalho que os gestores têm pela frente, grande parte das rodovias brasileiras foi construída na década de 1960 e a maioria já ultrapassou a vida útil prevista no projeto, porém, sem receber manutenção adequada nesse período. E para a recuperação, pode haver necessidade de reconstrução parcial ou até total.

Como então será possível melhorar esse cenário e ampliar a infraestrutura? Listamos alguns pontos que merecem atenção de gestores públicos, já que podem ser os principais gargalos do setor. Veja abaixo:

Ampliação e conservação do modal rodoviário

Podemos dizer que este é o maior o maior desafio, visto que, segundo a Confederação Nacional de Transportes (CNT), mais da metade das rodovias pavimentadas apresentam buracos, ondulações, fissuras e trincas. Além disso, o pavimento executado com asfalto, tipo mais comum no país, tem vida útil estimada entre oito e 12 anos. No entanto, de acordo com a entidade, cerca de sete meses após a conclusão as rodovias já começam a apresentar problemas estruturais. Por causa de dados como estes, o país ocupa a 111ª posição no Ranking de Qualidade das Rodovias do Fórum Econômico Mundial.

Neste ponto, podem ser consideradas algumas ações: mais investimentos, fiscalização das obras contratadas e das concessões e manutenção. Sobre o aporte de verbas vamos falar mais no próximo tópico.

Focando nos outros itens, é preciso que as medições do andamento das obras rodoviárias seja feita com eficiência. Deve-se acompanhar o cumprimento do contrato com o prestador do serviço – se está em andamento, paralisado, cancelado, encerrado, dentro do prazo ou atrasado –  e tomar as devidas providências em relação a isso. Assim como é necessário estar atento ao que acontece com as rodovias que estão sob concessão de empresas privadas.

Por um outro lado, também é preciso fazer o levantamento constante dos problemas da malha rodoviária, levantando as condições de trânsito, estrutura das estradas e satisfação do usuário. A partir daí, elaborar um planejamento de novas obras ou investir em restaurações em rodovias já deficitárias. A manutenção pode, inclusive, ser de responsabilidades das empreiteiras, estabelecidas no momento de contratação do serviço.

Sobre estes aspectos, a CNT avaliou que muitas obras são entregues fora dos padrões mínimos de qualidade, exigindo novos gastos para correção de defeitos que podem corresponder a até 24% do valor total da obra. Além disso, a má qualidade dos pavimentos se agrava com a falta de manutenção preventiva pois, pelos levantamentos da entidade, quase 30% das rodovias federais não têm contrato de manutenção.

Recursos

Sabe-se que o aumento dos recursos investidos é o fator mais complexo, pois depende do orçamento dos governos, muitas vezes já comprometido com outros setores. E a maior parte dos investimentos no modal rodoviário vêm, de fato, do setor público. Atualmente, são aportados pelo poder público em média R$ 8,5 bilhões por ano para realizar cerca de 55 mil quilômetros, o que corresponde a pouco mais da metade do total da malha rodoviária. Já o setor privado investe em torno R$ 6,5 bilhões para 19 mil quilômetros.

Porém, a conta está longe de fechar. Para melhorar as condições das estradas, o Brasil precisaria investir R$ 292,5 bilhões e seriam necessários R$ 57 bilhões para recuperação das rodovias, R$ 137 bilhões para duplicações e R$ 98 bilhões para retomada da expansão da malha brasileira. O valor total equivale a 13,6 vezes o orçamento do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, de R$ 21,5 bilhões este ano. A estimativa é da concessionária CCR RodoNorte.

Processos internos

O uso de novas tecnologias é essencial para garantir uma boa gestão do modal rodoviário. As metodologias ultrapassadas – não digitalizadas ou não automatizadas – para o planejamento de obras apresentam deficiências e não facilitam o processo de gerenciamento, fiscalização e manutenção das pistas. Para entender o que isso significa, basta saber que o Brasil tem hoje uma defasagem de quase 40 anos para projetar rodovias, em relação a países como Estados Unidos, Japão e Portugal. E este atraso se reflete também nos gastos. Já falhas na gestão e execução contribuem para a má qualidade das estradas brasileiras e, consequentemente, em mais investimentos em obras.

Ao realizar os registros manualmente, por exemplo, há maior chance de imprecisão, causando retrabalho e atrasos. A atualização também não acontece em tempo real, impossibilitando uma visão acertada das etapas. Já com processos feitos por meio de ferramentas específicas para o setor, como softwares de gestão da infraestrutura de transportes, é possível minimizar falhas do planejamento do projeto até a prestação de contas, melhorar o fluxo de trabalho e ainda contar um banco de pesquisa com dados relevantes para relatórios, gestão do tráfego e de manutenções necessárias.

Dessa forma, os gestores devem considerar a implantação de sistemas automatizados como um meio de agilizar as demandas. O que num primeiro momento pode parecer um alto investimento, com grandes alterações nas rotinas do setor, logo se mostra útil e eficaz na administração dos gargalos e otimização do processo.

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Para saber mais sobre a gestão da infraestrutura rodoviária, siga acompanhando as atualizações do blog E-Gestão Pública. Se tiver alguma dúvida, faça sua pergunta aqui nos comentários do texto!

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